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quinta-feira, 8 de agosto de 2013

A mulher e os primeiros jogos olímpicos da era moderna

Os jogos olímpicos foram reestabelecidos em 1896 na Grécia, por Pierre de Fredy, o Barão de Coubertin. Mas para conquistar o espaço olímpico, as mulheres passaram por várias batalhas, forçando a sua entrada de modalidade em modalidade.
Na primeira edição dos jogos modernos não houve a participação feminina devido alguns de seus idealizadores, serem defensores da não inclusão da mulher por achar que estas poderiam vulgarizar um ambiente cheio de honras e conquistas.
Coubertin considerava os jogos local apropriado para representar a figura competitiva do homem, por relacioná-lo com as questões do uso da força, virilidade, coragem, moralidade e masculinidade, cabendo as mulheres somente coroar os vencedores não maculando os jogos com seu suor.
Ao se verificar as ideias de Coubertin, fica claro que o Barão reconhecia o direito das mulheres a uma educação esportiva, inclusive competindo entre elas, porém fora da vista do público, mais por razões de raízes antropológicas e culturais do que fisiológicas. Sua ideia era apenas reproduzir fielmente a estrutura Grega antiga, buscando que os jogos olímpicos fossem idênticos as competições gregas da antiguidade, participando, as mulheres, apenas como expectadoras nos primeiros jogos olímpicos da era moderna.
Apesar de sua não aceitação nos primeiros jogos, Stamati Revith (mulher grega de origem pobre) posteriormente chamada de Melpomene, fez o percurso da maratona de maneira extra oficial, no dia segunte, percorrendo a última volta por fora do estádio, já que a entrada não lhe foi permitida.
Stamati fez o percurso em quatro horas e meia, mais rápido que alguns homens. Por não lembrar seu nome, os organizadores apelidaram-na de Melpomene, Deusa grega da tragédia, lembrando apenas do drama e não o feito extraordinário de sua atitude, que não teve reconhecimento internacional, mas provocou início para ingresso gradual das mulheres nos jogos, por meio de lutas contra os valores da época, sendo a primeira mulher a enfrentar os obstáculos esportivos da era moderna.

Fonte: Oliveira G, Cherem EHL, Tubino MJG. A inserção histórica da mulher no esporte. R. Bras. Ci e Mov. 2008, 16(2): 117-125.

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